quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Azul e Vermelho

Minha História como Indie Dev Profissional

Capítulo VIII

Azul e Vermelho

Porradaria Upgrade estava no Greenlight, empacado, mas estava. A possibilidade de lançá-lo na Steam contudo estava longe de vista e mesmo que isso acontecesse, eu não iria me sustentar com o mesmo jogo para o resto da vida. Eu precisava fazer algo novo.

Pensei em vários projetos diferentes, mas fazer algo do zero de novo levaria muito tempo (Porradaria Upgrade mesmo levou mais de 2 anos ao todo) e eu não podia me dar a esse luxo. O dinheiro dos bundles que eu recebi, além de bem pouco, não durariam para sempre. Foi então que me lembrei de algumas coisas que aprendi no curso Técnico de Administração sobre gerenciamento (ou mais precisamente, reaproveitamento) de recursos. Também lembrei que isso foi (na verdade ainda é) amplamente usado por várias desenvolvedoras de jogos (principalmente as AAA).
Dois jogos diferentes da mesma série. Repara no esqueleto!
A série Castlevania da Konami mesmo é um bom exemplo do que disse. Além do sprite do esqueleto, vários outros sprites de jogos anteriores foram reutilizados em outros jogos dessa série, fora a mesma funcionalidade (com uns retoques aqui e ali) que vem sendo usada desde o primeiro Castlevania praticamente (e a lista imensa de outros inimigos, itens, elementos de cenário…).

A ideia inicial para uma sequência havia nascido, Porradaria 2 Red&Blue!

Ao fazer uma sequência, eu matava vários coelhos em uma cajadada só.
  1. Reaproveitando recursos sobrava tempo para fazer novos;
  2. Daria para elaborar mecânicas novas e mais complexas, além de refinar as originais;
  3. Eu terminaria o projeto na metade do tempo que levei ao fazer o original;
  4. Por fim, quem conheceu o primeiro e gostou, poderia comprar o segundo.
Além da ideia de fazer uma continuação, também peguei emprestado a ideia de Pokémon e decidi lançar "dois jogos", que na verdade eram exatamente o mesmo, mas com algumas diferenças. Porradaria 2 Blue teria o Ninja como personagem, já Porradaria 2 Red teria o Espadachim. Cada versão teria suas diferenças sutis, com habilidades exclusivas e história diferenciada para cada um.

Desse modo, eu poderia vender a continuação mais elaborada (que obviamente custaria mais caro) pela metade do preço em cada versão. Quem gostasse de um poderia comprar o outro e se mesmo assim não vendesse nada e eu precisasse recorrer a bundles de novo, em vez de 5 centavos por jogo em cada bundle, agora eu ganharia 10 centavos por jogo em cada!

Essa ideia das versões no entanto foi rejeitada pela Desura e eu acabei unindo as duas versões em uma só. Apenas Porradaria 2 como título ficaria muito simplório. Como o jogo era um metroidvania mesmo, nada melhor que um subtítulo fazendo referência a um dos baluartes do gênero, não?

Nasceu assim Porradaria 2: Pagode of the Night!

Pela primeira vez consegui vender um jogo fora de bundles. Vendi 2 (ou 3, não lembro exatamente) cópias no lançamento na Desura. Depois disso não vendi mais nada lá. Esse jogo também não foi aprovado na primeira semana do Greenlight. E aos bundles tive que recorrer mais algumas vezes.

Então, comecei a trabalhar no terceiro jogo da série…

Continua…

2 comentários:

  1. É foda cara, demora demais desenvolver um game.

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    1. E como…

      Parando pra pensar, é um absurdo você ter que se sujeitar a vender um trabalho de anos por apenas 5 centavos.

      Mas… Fazer o quê, né? =/

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